Estipulando Regras e Limites – Desafios da Liderança (um debate informal crítico)

Hoje vou contar como minha noite de sábado rendeu um discussão calorosa. Éramos 4 mulheres, alguns copos de cerveja e muitas idéias, angústias, revoltas e ideais…

Não me lembro ao certo o que desencadeou o assunto. Porém, em algum momento me vi ali, discutindo (de nooovo!) sobre Gestão de Pessoas. À princípio éramos 3, eu e 2 amigas, uma cursando Gestão em Recursos Humanos e uma advogada, que trabalha no RH de uma conceituada empresa em São Paulo. As três igualmente preocupadas em como fazer para humanizar a relação entre as empresas e os colaboradores, qual poderia ser o nosso papel?

Em meio às nossas humildes colocações, entramos em comum acordo de que, com o acesso à internet e às milhares de informações nela contida, as pessoas irão tender, inevitavelmente, a serem menos receptivas às ordens, ou no mínimo, tentarão boicotá-las. Chegamos então à palavra: NEGOCIAÇÃO. Sim, queiram os gestores ou não, o fato é este. Sua escolaridade pode ser outra, sua cultura também, mas isto de nada vai adiantar sem a conquista do respeito, pelo diálogo e negociação com seu subordinado.

Lá pelas 4 da manhã, depois de já muito debate – inclusive sobre por quantas vezes somos recriminadas por sermos mais gentis com as pessoas -, eis que se senta à mesa de discussão a quarta amiga, executiva de uma também conceituada empresa em São Paulo, e coloca-se em alguma oposição às nossas idéias, o que acrescentou bastante à conversa. Ela relatou sobre como age em sua empresa e que sua postura lhe rendeu um carinhoso apelido por parte dos colaboradores: bruxa (rs!). Bem, é a metodologia dela para “botar ordem na casa”, segundo a mesma. Citou o roubo de uma câmera de dentro do banheiro feminino, e sim, graças a seu pulso firme e amedrontante – ao se referir à punição a ser aplicada, a culpada devolveu o objeto e foi demitida. Por outro lado, a mesma “bruxa”, ganhou a confiança e o respeito da platéia, ao resolver o problema de uma colega. Funcionou, apesar do apelido!

O rumo da discussão nos levou a uma questão delicada: como impor limites aos subordinados? Qual a melhor metodologia? Sim, sabemos muito bem de que não faltam pessoas de má índole e educação, que se precisarem, na primeira oportunidade jogarão a bomba no RH. Sabemos também que tem aqueles que acham que a empresa oferece pouco e sempre vão exigir alguma vantagem a mais. Tem aqueles que gostam de desafiar as regras e os limites da paciência humana, e que acham que não percebemos nada. Sim, nós sabemos, tudo isto realmente é irritante.

Mas um bom líder é capaz de reverter este comportamento? Claro que sim. Ele vai saber como dosar a postura firme e a imposição de limites com rigidez, ao mesmo tempo em que mantém a abertura ao diálogo, a assistência e o apoio ao subordinado. Tudo em seu tempo. E melhor, saberá trabalhar sua equipe para que ambos se adaptem à cultura da empresa, e a si mesmos, como em uma SOCIEDADE.

Vamos às citações, em ordem cronológica:

Goodenough (1957):

“Cultura é um sistema de conhecimento, de padrões de percepção, crenças, avaliação e ação, é forma das coisas que as pessoas têm na mente, seu modelo de percepção, relacionamento e de como as interpreta. Consiste do que quer que seja que alguém tenha que conhecer ou acreditar que, o permita operar de maneira a ser aceito como membro de uma sociedade. Como um produto de aprendizado humano, cultura consiste das maneiras com as quais as pessoas organizaram suas experiências no mundo real de forma a lhes dar estrutura que se tornem suas percepções e conceitos do mundo dos fenômenos.”

Geertz (1989):

“Para as organizações, a cultura é o resultado de sua história particular e do sistema de símbolos criado e mantido pela sua liderança no passado e no presente, o qual serve para ser interpretado e dar significado às experiências subjetivas de seus membros, assim como para racionalizar e aumentar seu compromisso com a empresa.”

Robbins (2001):

“A maioria dos altos executivos estão familiarizados com a linguagem e atividades que dão visão à seus negócios, como por exemplo: estabelecer a estratégia, objetivos e metas e a desenhar planos de como atingir estas metas através de uma série de objetivos de curto prazo. Porém, todos estes esforços podem ser bem sucedidos ou falhar, devido à um aspecto bem mais subjetivo e difícil de quantificar: a cultura. A cultura da sua organização determina quão duramente, ou alegremente seus empregados trabalham, quem obterá os créditos pelo o que, e o quanto a excelência é recompensada. Portanto, a longo prazo, a cultura também acabará por determinar se sua organização sobreviverá.”

Seja como for, as abordagens trazem enfoques diferentes, porém remetem às mesmas idéias de que cultura consiste em tudo o que as pessoas tenham que conhecer ou acreditar, que as permitam operar de maneira a serem aceitas como membros de uma sociedade ou organização. Enfim, o que se pode notar é que, seja qual for a definição, o foco é a adaptação do indivíduo à sociedade – ou organização – em que vive.

Cabe a nós colaborarmos para que esta adaptação aconteça, dentro das empresas. Nunca é tarde para a liderança ensinar algo que no mundo está “out”: respeito ao próximo, confiança e dignidade valem a pena!


Fonte: http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/BDS.nsf/4AD4782E13B055CB03256EF600506F48/$File/NT00090F7A.pdf

Boa semana a todos!

2 Responses to “Estipulando Regras e Limites – Desafios da Liderança (um debate informal crítico)”


  1. 1 Naira Modelli maio 11, 2009 às 9:53 pm

    Vejam a opinião de Gustavo Boog:

    “O que encontro em muitas empresas são pessoas que exercem sua liderança mais como chefes que como líderes. No seu histórico de carreira, são excelentes técnicos, que sabem resolver bem questões técnicas, que foram conduzidos a papéis de chefia, ocupando “caixinhas” nos organogramas e progredindo em suas trajetórias profissionais sem buscarem um embasamento para lidar com pessoas e com equipes. Nem sempre o bom técnico é um bom líder. Aí usualmente vem as conseqüências de autoritarismo ou de omissão. É o chefe que é “linha dura” em excesso e que com isto massacra seu pessoal, ou o chefe que “deixa rolar solto”, não tendo uma contribuição efetiva a fazer pelo seu grupo.”

  2. 2 Andrea Rodrigues maio 13, 2009 às 10:02 pm

    Condordo com o Gustavo e com a Naira, mesmo porque eu estava presente na noite de sabado. rs..
    Realmente um dos pontos mais criticos é aprender a ter um equilibrio numa liderança.
    Atualmente sou lider de um time, e posso afirmar que é muito dificil e complicado.
    Caimos sempre naquela velha historia, uma empresa que estende a mão para o funcionário totalmente é meio complicado, pois como diz o ditado e realmente acontece, voce da a mão e eles querem o braço.
    É super dificil pois a maioria dos funcionarios nunca estão satisfeitos, sempre querem mais e mais e mais, porém eles nunca param para pensar o que estão fazendo para ter mais e mais e mais. Exigir é facil, ser digno daquilo que é o dificil. É nesse ponto que nós, lideres temos que dosar muito bem as coisas, principalmente quando se trata de um nivel um pouco mais baixo, de funcionarios que não tem uma certa posição.
    Vocês ja pararam para pensar, que nós, sempre estamos em busca de melhorias, seja algum curso, uma pós, um estudo de linguas, qualquer coisa, mas sempre estamos atrás de algo para crescermos e alcançarmos nosso objetivo. Mas e uma pessoa de um cargo mais baixo? O que ela quer? O que ela faz para chegar lá? Na maioria das vezes não fazem nada, não sabem nem se quer direito o que querem para seu futuro profissional, e mesmo assim reclamam que não tem oportunidade, porque são de classe social inferior, que não tem condições, etc. Pessoal, me desculpa, mas isso não significa não ter objetivos, metas de vida, etc.
    Um exemplo que sempre tenho, é a filha da minha empregada, vindo de familia humilde, simples mesmo, porém a garota tinha tanta força de vontade, e metas na vida, que hoje se formou em uma faculdade (conseguiu aqueles auxilios do governo para pessoas de baixa renda), esta fazendo pós, trabalhando na Multibrás, e crescendo cada vez mais profissionalmente.
    Então pessoal, vamos se mexer e nao so exigir aumentos, reconhecimentos, etc, vamos lutar, impor uma meta, e seguir adiante para conseguir atingi-la.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




maio 2009
D S T Q Q S S
« abr   jun »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31  

Atualizações Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.

Del.icio.us

Flickr

Itacaré

Mais fotos

%d blogueiros gostam disto: