A História da Administração – Parte I

Acabo de me dar conta da gafe que cometi. Como podemos falar de Gestão de Pessoas sem citarmos e estudarmos a BASE da administração e a evolução dos métodos gerenciais? Não, isto não é possível, portanto, para me redimir deste terrível ato falho, vou escrever e abordar profundamente (ou pelo menos tentar) sobre a história da Administração, seus ícones e tendências gerenciais.

Nesta primeira parte vamos ver a evolução da administração e alguns de seus personagens, desde a Antigüidade até antes da Revolução Industrial.

Um abraço!

*

Conforme MAXIMIANO (2000, p. 126), já por volta de 10000 a 8000 a.C. na Mesopotâmia e no Egito, agrupamentos humanos que desenvolviam atividades extrativistas faziam uma transição para atividades de cultivo agrícola e pastoreio, iniciando-se a “Revolução Agrícola”. Nesse período surgem as primeiras aldeias, marcando-se a mudança da economia de subsistência para a administração da produção rural e a divisão social do trabalho.

Na Suméria, em meados do ano 5.000 a.C., os antigos sumerianos procuravam melhorar a maneira de resolver seus problemas práticos, exercitando assim a arte de administrar.

Em seguida, na China, surgiu a necessidade de adotar-se um sistema organizado de governo para o império, a Constituição de Chow, com seus oito regulamentos e as Regras de Administração Pública de Confúcio exemplificam a tentativa chinesa de definir regras e princípios de administração. A constituição Chow no século 12 a.C. criava a relação do quadro de pessoal do Imperador, do mais alto escalão ao menor serviçal. Para cada função era designada uma tarefa com deveres e responsabilidades. Na obra A Arte da Guerra, 500 a.C., Sun Tzu apresenta os itens mais importantes para a estratégia do estado.

Entre 400 e 350 a.C., os gregos reconheceram a administração como uma arte separada e defendiam a abordagem científica do trabalho. Os romanos descentralizaram a administração de seu vasto império antes do nascimento de Cristo. Durante os tempos medievais, os venezianos padronizaram a produção por meio da utilização da linha de montagem, construindo armazéns e utilizando um sistema de estoque para monitorar os conteúdos.

Apontam-se, ainda, outras raízes históricas. As instituições otomanas, pela forma como eram administrados seus grandes feudos. Os prelados católicos, já na Idade Média, destacando-se como administradores natos. A Alemanha e a Áustria, de 1550 a 1700, através do aparecimento de um grupo de professores e administradores públicos chamados os fiscalistas ou cameralistas.  Os mercantilistas ou fisiocratas franceses, que valorizavam a riqueza física e o Estado, pois ao lado das reformas fiscais preconizavam uma administração sistemática, especialmente no setor público.

Na evolução histórica da administração, duas instituições se destacaram: a Igreja Católica Romana e as Organizações Militares. A Igreja Católica Romana pode ser considerada a organização formal mais eficiente da civilização ocidental. As Organizações Militares evoluíram das displicentes ordens dos cavaleiros medievais e dos exércitos mercenários dos séculos XVII e XVIII até os tempos modernos com uma hierarquia de poder rígida e adoção de princípios e práticas administrativas comuns a todas empresas da atualidade.

Muitos filósofos, pensadores e estudiosos deixaram importantes contribuições para a história da administração, e não posso deixar de citá-los:

Filósofos gregos, como Platão (429 a. C. – 347 a. C.) discípulo de Sócrates, e Aristóteles (384 a. C. – 322 a. C.), discípulo de Platão. Ambos deixaram contribuições para o pensamento administrativo do Século XX. Platão preocupou-se com os problemas de natureza política e social relacionados ao desenvolvimento do povo grego. Aristóteles impulsionou o pensamento da Filosofia e no seu livro Política estudou a organização do Estado.

Nicolau Maquiavel (1469 – 1527), historiador e filósofo político italiano, seu livro mais famoso, O Príncipe (escrito em 1513 e publicado em 1532) refere-se à forma de como um governante deve se comportar. Segundo MAXIMIANO (2000, p.146), Maquiavel pode ser entendido “como um analista do poder e do comportamento dos dirigentes em organizações complexas”. Certos princípios simplificados que sofreram popularização estão associados a Maquiavel (observa-se o adjetivo maquiavélico):

“Se tiver que fazer o mal, o príncipe deve fazê-lo de uma só vez. O bem, deve fazê-lo aos poucos.”

“O príncipe terá uma só palavra. No entanto, deverá mudá-la sempre que for necessário.”

“ O príncipe deve preferir ser temido do que amado.”

Francis Bacon (1561 – 1626), filósofo e estadista inglês, considerado um dos pioneiros do pensamento científico moderno, fundador da Lógica Moderna baseada no método experimental e indutivo (do específico para o geral). Segundo CHIAVENATO (1983, p. 22) com Bacon é que se encontra a preocupação com a separação experimental do que é essencial em relação ao que é acidental. Antecipou-se ao princípio da Administração “prevalência do principal sobre o acessório”.

René Descartes (1596 – 1650), filósofo, matemático e físico francês, considerado fundador da Filosofia Moderna. Celebrizado pela sua obra “O Discurso do Método”, em que descreve os principais preceitos do seu método filosófico, hoje denominado “método cartesiano”. Princípios do método cartesiano:

* Princípio da Dúvida Sistemática ou da Evidência – não é verdadeiro até que se saiba com evidência, ou seja, como realmente verdadeiro.Princípio da Análise ou da Decomposição – dividir e decompor cada parte de um problema para analisar as suas partes separadamente.

* Princípio da Síntese ou da Composição – processo racional que consiste no ordenamento dos pensamentos, dos mais fáceis e simples para os mais difíceis e complexos.

* Princípio da Enumeração ou da Verificação – em tudo fazer recontagens, verificações e revisões de modo a tornar-se seguro de não ter havido qualquer omissão durante o processo de raciocínio (checklist).

Thomas Hobes (1588 – 1679), filósofo e teórico político inglês, segundo o qual o homem primitivo era um ser anti-social por definição, atirando-se uns contra os outros pelo desejo de poder, riquezas e propriedades – “o homem é o lobo do próprio homem”. O Estado surge como a resultante da questão, que, de forma absoluta, impõe a ordem e organiza a vida social.

Karl Marx (1818 – 1883) e Friedrich Engels (1820 – 1895), Marx, filósofo alemão, e Engels, propuseram uma teoria da origem econômica do Estado. CHIAVENATO (1983, p. 23) escreve que, de acordo com Marx e Engels a dominação econômica do homem pelo homem é a geradora do poder político do Estado, que vem a ser uma ordem coativa imposta por uma classe social exploradora. No Manifesto Comunista, segundo CHIAVENATO, Marx e Engels afirmam que a história da humanidade sempre foi a história da luta de classes, resumidamente, entre exploradores e explorados.

No próximo post vou falar sobre a história pós Revolução Industrial, e sua colaboração para a administração moderna.

Fontes:

http://pucrs.campus2.br/~annes/tga.html

http://www.cfa.org.br/download/RD1605.pdf

http://www.genitrix.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=450&Itemid=83

http://74.125.47.132/search?q=cache:p2q4-0NN_KoJ:www.denilson.adm.br/Apostila_TGA.pdf+administra%C3%A7%C3%A3o+hist%C3%B3ria&cd=3&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

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1 Response to “A História da Administração – Parte I”


  1. 1 mauromartins maio 21, 2009 às 11:45 am

    Naira!
    Este post está ótimo! Nossa, você seria uma ótima professora de Metodologia de Ensino!

    Eu conheço alguns autores da bibliografia citada, tenho livros como A Arte da Guerra e O Príncipe. Também li o Manifesto Socialista. Tenho uma dúvida: o comunismo de Stalin e Mao entra como modelo de administração? Será estudado no futuro em cursos de ADM?

    Continue o ótimo trabalho! Parabéns! Tenho muito orgulho de te conhecer.

    Um abraço!


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