A História da Administração – Parte II

Chegamos à Revolução Industrial: o fenômeno que provocou o aparecimento da empresa e da moderna administração ocorreu no final do século XVIII e se estendeu ao longo do século XIX, chegando ao limiar do século XX. Esse fenômeno trouxe rápidas e profundas mudanças econômicas, sociais e políticas.

Conforme MAXIMIANO (2000, p. 147) a Revolução Industrial, ocorrida no século XVIII, é resultado de dois eventos importantes – o surgimento das fábricas e a invenção das máquinas a vapor por James Watt em 1776 – que revolucionaram a produção e a aplicação dos conhecimentos administrativos. Iniciada na Inglaterra e espalhada pelo mundo civilizado, divide-se em dois períodos distintos:

1780 a 1860: 1ª Revolução Industrial, revolução do carvão e do ferro:

É a revolução do carvão (como principal fonte de energia) e do ferro (como principal matéria-prima). Começa com a  introdução da máquina de  fiar, no  tear hidráulico e, posteriormente, do tear  mecânico, do descaroçador de  algodão, provocando a mecanização das oficinas e da agricultura. O  trabalho do homem, do animal e da roda d’água é substituído pelo trabalho da máquina, surgindo o sistema  fabril: o antigo artesão transforma-se no operário e a pequena oficina patronal sede lugar à fabrica e à usina. As novas  oportunidades de trabalho provocam migrações e conseqüente  urbanização ao redor de centros industriais. Há uma revolução nos meios de  transportes e comunicações: surge a navegação a vapor, a locomotiva a vapor, o telégrafo e o telefone. É o início do Capitalismo.

1860 a 1914: 2ª Revolução Industrial, revolução do aço e da eletricidade:

É  a  revolução  da  eletricidade  e  derivados  do  petróleo (como as novas  fontes de energia) e do aço (como a nova matéria-prima).  É a introdução  definitiva  do maquinário automático e da especialização do operário. Há  uma intensa transformação dos meios de  transporte e nas comunicações: surge a estrada de ferro, o automóvel, o avião, o telégrafo sem fio, o rádio. O  capitalismo financeiro consolida-se e surgem as grandes organizações multinacionais (como a Standard Oil, a General Electric, a Westinghouse, a Siemens, a Dupont, a United States Steel etc.).

Ao final desse período, o mundo já não era mais o mesmo. E a moderna administração surgiu em resposta  a duas consequências provocadas pela Revolução Industrial, a saber:

a) crescimento acelerado e desorganizado das empresas que passaram a exigir uma administração científica capaz de substituir o empirismo e a improvização;

b)  necessidade de maior eficiência e produtividade das empresas, para fazer face à intensa concorrência e competição no mercado.

A influência dos economistas clássicos liberais

Segundo LODI (1984, p. 13) o administrador profissional surge a partir do desenvolvimento da indústria e da crescente separação entre propriedade e administração. Entretanto, antes do “administrador-pensador”, contamos com a influencia dos economistas clássicos do final do século XVIII e início do século XIX sobre as origens do pensamento administrativo.

Adam Smith (1723 – 1790), filósofo e economista escocês, considerado como criador da Escola Clássica da Economia, em 1776  publica a sua obra “Uma investigação sobre a natureza e as causas da Riqueza das Nações”, mais conhecido como A Riqueza das Nações, já abordava o princípio da especialização dos operários e o princípio da divisão do trabalho em uma manufatura de agulhas para destacar a necessidade da racionalização da produção. Conforme CHIAVENATO (1983, p. 30), para Adam Smith, a origem da riqueza das nações reside na divisão do trabalho e na especialização das tarefas, preconizando o estudo dos tempos e movimentos, pensamento que, mais tarde, Frederick Winslow Taylor e o casal Frank e Lilian Gilbreth viriam a desenvolver, fundamentando a Administração Científica.

“Todo indivíduo necessariamente trabalha no sentido de fazer com que o rendimento anual da sociedade seja o maior possível. Na verdade, ele geralmente não tem intenção de promover o interesse público, nem sabe o quanto o promove. Ao preferir dar sustento mais à atividade doméstica que à exterior, ele tem em vista apenas sua própria segurança; e, ao dirigir essa atividade de maneira que sua produção seja de maior valor possível, ele tem em vista apenas seu próprio lucro, e neste caso, como em muitos outros, ele é guiado por uma mão invisível a promover um fim que não fazia parte de sua intenção. E o fato de este fim não fazer parte de sua intenção nem sempre é o pior para a sociedade. Ao buscar seu próprio interesse, freqüentemente ele promove o da sociedade de maneira mais eficiente do que quando realmente tem a intenção de promovê-lo.“ (Adam Smith, A Riqueza das Nações, Livro IV, capítulo 2)

David Ricardo  (1772 – 1823), economista britânico, em sua obra “Princípios de Economia Política e Tributação”, publicada em 1817,  tratava de  teorias cujas bases residiam nos seus estudos sobre a distribuição da riqueza a longo prazo. Segundo David Ricardo o crescimento da população tenderia a provocar a escassez de terras produtivas.

Tal Como Adam Smith, Ricardo admitia que a qualidade do trabalho contribuia para o valor de um bem. O trabalho era visto como uma mercadoria. Uma importante contribuição sua foi o princípio dos rendimentos decrescentes, devido a renda das terras. Tentou deduzir uma teoria do valor a partir da aplicação do trabalho. Ricardo tornou-se o clássico por excelência da Economia, apesar de se inspirar em grande parte da sua análise na obra de Adam Smith acabou por criticá-lo. Alterou o conceito de valor de uso de Adam Smith definindo-o como a Utilidade, ou seja, a capacidade do produto satisfazer as nossas necessidades. Como contribuições para a formação do pensamento administrativo, resumidamente, é possível destacar: suas posições a respeito do custo do trabalho e sobre os preços e mercados.

John Stuart Mill (1806 – 1873), filósofo e economista britânico, publicou “Princípios de Economia Política” onde, segundo CHIAVENATO (1983, p. 31) apresenta um conceito de controle objetivando evitar furtos nas empresas. Acrescenta duas qualidades importantes, a fidelidade e o zelo.

Um olhar para as teorias administrativas

A revolução industrial introduz um novo modo de produzir que inclui, dentre outras características, o trabalho coletivo, a perda do controle do processo de produção pelos trabalhadores e a compra e venda da força de trabalho. Neste contexto, no final do século XIX e início do século XX apareceram os primeiros trabalhos tratando da administração com o objetivo de racionalização do trabalho.

O século XX é dividido então pelo que chamamos de Três Eras da Administração e suas teorias:

Era Clássica (1900 – 1950): Inicio da Industrialização, estabilidade, pouca mudança, previsibilidade, regularidade e certeza.

* Administração Científica (Frederick W. Taylor)

* Teoria Clássica (Henri Fayol)

* Relações Humanas (Elton George Mayo)

* Teoria da Burocracia (Max Weber)

Era Neoclássica (1950 – 1990): Desenvolvimento Industrial, aumento da mudança, fim da previsibilidade, necessidade de inovação.

* Teoria Neoclássica

* Teoria Estruturalista

* Teoria Comportamental

* Teoria de Sistemas

* Teoria da Contingência

Era da Informação (Após 1990): Tecnologia da Informação, globalização, ênfase nos serviços, aceleração da mudança, imprevisibilidade, instabilidade e incerteza. Nesta era, o ênfase é em:

* Produtividade

* Qualidade

* Competitividade

* Cliente

* Globalização

No próximo post vou entrar em detalhes quanto a estas Eras da Administração e suas teorias.

Fontes:

http://www.cfa.org.br/download/RD1605.pdf

http://www.urutagua.uem.br//02tatto.htm

http://administro.com.br/pdf/326a9e126a.pdf

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