As geniosas e talentosas Gerações X e Y

Eu nem ia escrever sobre este assunto, uma vez que já está sendo bem “batido”, mas semana passada eu vi vários artigos aleatoriamente sobre comparativos entre baby boomers, geração X, Y, e esta coisa toda. Bem, pode ser que de tanto ver, eu tenha ficado condicionada e começei a pensar com meus botões sobre a relação destas gerações entre si e com as mudanças constantes e tendências de gestão tão volúveis e “experimentáveis”.

Resumidamente, a ordem cronológica segue a seguinte linha (as datas variam um pouco de acordo com o autor):

1. Baby boomer: nascidos entre 1946 e 1964, no período pós guerra nos EUA, Inglaterra e Rússia – responsáveis pela consolidação do valor dos bens de consumo como carros, casas, televisão, etc. Este grupo inclui a maior parte dos executivos de topo, líderes e políticos, bem como a camada superior da administração na maioria das organizações;

2. Geração X: nascidos entre 1964 e 1975, conhecidos como os precursores do empreendedorismo, pessoas voltadas às ações, e criadores da internet e da visão `fora da caixa´;

3. Geração Y: nascidos entre 1976 e 1994, aqueles que cresceram já com tecnologia, mas que devido ao cenário mundial e nenhuma segurança com o próprio futuro, muitas vezes ainda não fizeram diferença e dependem dos pais boomers para pagar as próprias contas…

Ok, essas definições realmente não se encaixam como uma luva ao Brasil! Sim, porque os “nossos” baby boomers não foram parar na Guerra do Vietnã, nem ficaram aos milhares assistindo chocados ao assassinato de Kennedy. Ao mesmo tempo em que isto acontecia, aqui os “nossos” baby boomers assistiam – com as poucas televisões dos poucos privilegiados brasileiros – os primeiros passos do desenvolvimento de nossa industrialização, a abertura de mercado, a criação da Petrobras, escândalos políticos e ainda que lutassem, muitos foram calados durante a ditadura militar.

Os boomers se caracterizaram por uma geração que se adaptou à busca e mrburnsconquista de um bom emprego ou – com mais sorte – a criação de sua própria empresa, aproveitando a crise mundial pós-guerra que promoveu o início das grandes exportações brasileiras. São profissionais com tendência à manutenção do mesmo emprego por longos anos (praticamente a vida toda), afim de obter estabilidade financeira até a aposentadoria ao final de sua trajetória profissional. Defensores ferrenhos do resultado a curto prazo (alguém disse downsizing aí?). E ainda são eles que geralmente encontramos – mandando e desmandando – no topo das empresas. Mas não são deles que quero falar.

Logo abaixo temos os gestores e a liderança da chamada Geração X, um pessoal atualmente na faixa entre 35 a 45 anos, que se graduou e entrou no mercado de trabalho quando a maioria dos cargos importantes já estava sendo ocupada pelos boomers, o que logicamente, causa ainda bastanteHomer_Computer frustração. São pessoas ativas, e assim sobrevivem no ambiente corporativo apesar de algumas se sentirem ameaçadas pela supremacia dos boomers e as inovações constantes e adaptabilidade dos Yers. Não são muito apegados ao emprego em si, aprenderam a agir por conta própria, pois têm sempre em mente deixar a empresa para empreender ou trabalhar em outras empresas, onde possam ocupar melhores cargos. É do tipo fiel à empresa, até que surja uma oportunidade melhor. O que não está errado, mas incomoda, e muito, os boomers, e me preocupa, vou dizer o porquê.

Como já disse, este pessoal é ativo e aprendeu a se esquivar dos obstáculos e a sobreviver dentro do mundo corporativo FAZENDO, e não só MANDANDO, o que me sugere uma carga extra de experiência prática. Não estou dizendo que os boomers só sabem mandar, milhares deles ralaram sim, e não tiro seus méritos,  mas agora vou “puxar a sardinha” um pouco para o lado dos Xers.

Olhem só isso: segundo um artigo que li no site hreonline.com, atualmente existem 78 milhões de Boomers e 92 mihões de Yers no mundo corporativo, e o artigo questiona como o RH pode preencher esta lacuna. Ué! Cadê os Xers? Por que não foram mencionados em momento algum neste artigo? Teoricamente eles deveriam estar na sucessão dos boomers, e em conseqüência, nós deveríamos aprender com eles!

Tudo bem que nós, Yers, fomos muito privilegiados com informações e tecnologia, e não podem nos condenar por isto. Somos hoje quem interage com o mundo atrás de informações que possam agregar valor e agilidade aos negócios. Sim somos ótimos, vitaminados, necessários e nada modestos. lisa-simpson-104Mas nós sabemos e assumimos: quem está a mais tempo ali vendo a realidade do chão de fábrica não somos nós. Nosso maior conhecimento é sobre teorias e avanços tecnológicos que por vezes nem sabemos como aplicar da melhor forma. E onde estão os Xers, com sua experiência prática, para nos orientar? Eu digo: estão acima de nós e abaixo dos boomers, mas não ao nosso lado. Seria individualismo ou algo pessoal? Incômodo em passar o conhecimento adiante? Falta de confiança? Competitividade? Parece-me que hoje são poucos os que querem cooperar, formar alianças conosco.

Agora, se uma das fortes tendências é a Gestão 2.0, tão já citada mundo afora, por que não unirmos a nossa habilidade como colaboradores e pesquisadores em massa, à experiência prática? O que perderíamos com isso? Com certeza nada. Vamos quebrar estas barreiras de idade e pensamentos, preconceitos, tantos receios e bloqueios em conhecer o novo (inclusive pessoas novas), em aceitar inovações. Todos sairão ganhando colaborando mutuamente. Vamos renovar e reciclar os talentos, juntos.  Os boomers aos poucos estarão saindo do mercado, e temos muito o que fazer e aprender (com eles!) antes de perdermos nosso precioso tempo com estas picuinhas de quem pode mais! Desculpe, caro leitor, mas tenho horror a estes paradigmas!

Nós incomodamos, eu sei, somos curiosos, geniosos, cheios de vontade e opinião, batalhamos de igual para igual por um futuro promissor, queremos usar o msn em horário de trabalho e ainda custamos menos. Mas faço aqui um apelo: Geração X, podem nos chamar de “filhinhos de papai” e de metidos a sabichões, mas humildemente vos digo, nós precisamos aprender com vocês, e vocês, conosco!

13 Responses to “As geniosas e talentosas Gerações X e Y”


  1. 1 Renato junho 2, 2009 às 7:00 pm

    Naira,
    Ótimo post. Dois comentários:
    1- Saiu um artigo sobre as gerações nas empresas brasileiras. Foi em alguma das revistas de administração de grande circulação. Dei uma procurada rápida, mas não encontrei. Vou procurar mais tarde, mas se você quiser procurar, é um artigo que descreve três gerações dizendo que os velhos estão cansados e céticos, enquanto os jovens tratam tudo como vídeo-game – acabou uma fase, já querem partir prá outra. Esta classificação é bem mais adequada prá nós que a americana.

    2- Quanto aos boomers ficarem velhos e se aposentarem… sei não… Este velho aqui (safra 1962) acha que ainda tem uns 30 anos ainda pela frente. Além disso, a substituição de orgãos vem por aí…

    Até,
    Renato

    • 2 Naira Modelli junho 2, 2009 às 7:26 pm

      Oi Renato!!
      Obrigada pelo comment!
      Eu vou procurar ao artigo sim, e se encontrar, colocarei à disposição aqui no blog. Quanto à minha referência – concordo que não muito gentil – de que os boomers sairão do mercado, sei que me expressei mal mas quis dizer que é preciso aproveitar seu conhecimento enquanto é tempo. Me desculpe!
      Mas essa coisa de substituição de órgãos é muito interessante por sinal, rs!
      Até!!

  2. 3 Paulo Reganin junho 3, 2009 às 7:29 pm

    Naira Modelli!

    Já conversamos um pouco (você me visitou no meu Blog|Revista, lembra?) e como deve ter visto, sou um “X” de 1973.

    Na minha perspectiva, o fenômeno no Brasil foi retardado, porém seria uma negligência julgá-lo extranho para nós… Hoje (3 de junho) conversávamos justamente sobre isso, meus amigos e eu, particularmente quanto à necessidade de adaptarmos nossa forma de atrair e cultivar um relacionamento estável com os nascidos nos anos 80 (os Yers)…

    Mas, sabe, os “Y” não incomodam nem não são indignos de confiança. Na verdade,(eu e minhas provocações…) acho até que os “X” tem uma certa “inveja” dos “Y”…

    Sim, eu sei… é uma generalização…
    Abraço forte e siga em frente.

    Paulo Reganin
    http://reganin.wordpress.com/

    N.B.: O tema pode até “parecer” batido, mas permanece subestimado: não foi por acaso que mais da metade do orçamento da última campanha presidencial americana foi voltada à sedução dos “Y”. Nesse ponto o comitê estratégico dos Democratas foi incrível: uma de suas principais habilidades foi a capacidade de comunicação e interação com os “Y” na internet e o modo como influenciou suas famílias…

    • 4 Naira Modelli junho 5, 2009 às 12:31 am

      Oi Paulo!!
      Obrigada pela visita novamente, claro que me lembro de você, aliás, estou sempre por lá dando uma espiadinha nos seus posts!

      Pois é, não dá pra entender! É competição e desgaste desnecessários o tempo todo, e a solução é tão simples, assim como vc citou sobre a campanha do Obama! Ego é ego né, falta um bocado de humildade para ensinar e aprender, mundo afora… Mas enfim, é o que eu sempre digo, temos que fazer a nossa parte e dar a cara para bater mesmo, tijolinho por tijolinho e um dia a gente chega lá!
      🙂
      Até mais! Um abraço!

  3. 5 darciomartins junho 5, 2009 às 2:15 am

    Excelente post Naira.

    Só devemos ter em mente quando comparamos as gerações que elas não são refletidas em diferentes partes do globo de forma igual. Nossa geração de boomers é diferente dos boomers americanos. A geração x americana já era a que mais utilizava os 160 caracteres com o SMS, muito antes do twitter dar as caras entre os Y. Bom, são só algumas observações.
    O grande desafio do Y é ele próprio. Em tentar superar suas próprias deficiências, que são várias. Eu tenho 25 anos e conheço de perto as deficiência de nossa geração.

    De qualquer forma, muito bom post.

    Amplexos, c ya!

    • 6 Naira Modelli junho 19, 2009 às 8:03 am

      Oi Darcio! Obrigada pela visita e pelo comentário!

      Pois é, eu também sinto na pele estes desafios, integrar a nossa “independência” ao contexto empresarial e manter tudo em ordem dá trabalho, mas nada como a experiência…

      Até mais!
      Um abraço,
      Naira

  4. 7 Rodrigo junho 15, 2009 às 12:34 pm

    Muito bom o post.
    Podemos concluir que nossos filhos serão a geração “Z”, e assim presumir que são pessoas bombardeadas de muito mais informações que nós. Não consigo imaginar que tipo de pessoas serão, e além, já que Z é a última letra do alfabeto, qual será a geração dos nossos netos???

    • 8 Naira Modelli junho 19, 2009 às 8:12 am

      Oi Rodrigo!

      Nem fale… penso nisso às vezes também, mas a geração “Z” não será de nossos filhos não, eles já estão aí, já reparou nos adolescentes? Eu com meus 10, 12 anos, acho que não tinha 10% da noção de tudo que eles têm hoje!

      Fórmulas prontas não temos, o jeito é trabalhar de alguma forma para que as empresas estejam preparadas para receber este pessoal daqui a alguns anos. Se os Yers já “dão trabalho”, imagine eles…

      Muito obrigada pela visita! Volte sempre!
      Um abraço,
      Naira

  5. 9 marcelopcarvalho junho 18, 2009 às 4:55 pm

    Naira,

    Acho que a caracterização das gerações é bem complexa mesmo. Parece-me que houve uma mudança na educação das gerações. A minha, X, foi educada de uma maneira mais próxima da geração baby boomer do que da geração Y.

    A Y teve muito mais permissividade do que a X. Outro dia um palestrante disse que, nas gerações anteriores, se um filho fosse mal na escola, seria repreendido pelos pais; hoje, os pais vão tomar satisfação com o professor. Acho uma analogia que faz um certo sentido. A X teve que crescer mais cedo, se virar com mais responsabilidade.

    Não sei se isso tem a ver com um complexo de culpa das famílias, pela maior inserção da mulher no mercado de trabalho, deixando menos tempo para os filhos e, assim, tentando compensar com uma maior permissividade.

    Isso não quer dizer que é pior ou melhor; certamente, em relação a adaptação ao mundo atual, de informação em maior quantidade e conectividade, a Y é mais adaptada, nasceu nela, enquanto a X é um imigrante digital.

    Abraço!

    Marcelo

    • 10 Naira Modelli junho 19, 2009 às 9:24 am

      Oi Marcelo!

      Você superou! É exatamente esta palavra que eu buscava: permissividade.

      Sou Y de 81 e não tive isto, até porque minha mãe não trabalhava fora. Mas mesmo as famílias de meus amigos cujas mães trabalhavam, não eram permissivas, nós ainda tínhamos que “andar na linha” sim, pouquíssimos eram os super-livres. Já os Y 10 anos mais novos são muito mais adaptados ao mundo do que éramos (e cada vez mais). Complicado generalizar.

      Acho que esta situação que você mencionou sobre os pais irem tirar satisfação com os professores reflete exatamente a falta de cumplicidade entre pais e filhos, onde uns não conhecem aos outros, assim, para evitar conflitos no pouco tempo de convivência existente, mais fácil é questionar o educador. A criançada está bem solta mesmo, e muito esperta.

      Disto não entendo, e aliás, acho muito complexo! Fico blaster apreensiva quando penso nas futuras gerações e nossa responsabilidade sobre eles… :S

      Um abraço!
      Naira

  6. 11 Vânia agosto 9, 2009 às 5:32 pm

    Boa Tarde!

    Adorei sua matéria faço Gestão em Processos Gerenciais esta semana eu tenho que fazer um trabalho sobre a Geração x, com foco em produtividade e esse seu arquivo abriu muito a minha mente sobre essa geração adorei mesmo.
    Voc?E tem algum site p/ me indicar em realação a tecnologia dessa fase?

    Parabéns

    Vania A Fioravante
    vaninhaf22@hotmail.com

    • 12 Naira Modelli agosto 20, 2009 às 10:19 pm

      Oi Vânia! Perdoe-me, passei do prazo de seu trabalho né? Rs!

      Não sei se ajuda, mas para dizer a verdade, eu não tenho nada específico ou algum site para indicar, pois eu acabo lendo muitos blogs e sites de RH e assim formulo minhas opiniões… alguns blogs estão relacionados no meu blogroll, vale a pena dar uma conferida neles, quem sabe te ajuda se precisar!😉

      Muito obrigada pela visita e pelo comentário!

      Forte abraço!
      Sucesso!


  1. 1 Perfil do Usuário do Twitter no Brasil « Engenharia & Gadget Blog Trackback em junho 10, 2009 às 1:56 pm

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