As Corporações e a Maternidade

Encontrei um site muito bacana pelo StumbleUpon, cujo nome bem sugestivo é “Tales of Corporation Opression”. Lá as pessoas relatam más experiências dentro das organizações, e li um relato que me deixou bastante chocada, na verdade, indignada, e é sobre isto que vou falar hoje!

Segue abaixo, em inglês.

“I am a woman. I worked on Wall Street where the C.E.O. (a man) convened a meeting to explore “Women’s Issues on Wall Street”. Successful women from the firm were invited along to share their opinions.

One woman, “Diane”, said she thought mothers shouldn’t take maternity leave, and that women just had to work harder and longer than men to get ahead.

The C.E.O. appointed Diane as “Head of Women’s Issues”. Diane’s boss was forced out and she became co-Head of our department, meaning that I reported to her. At 35, I had been trying to get pregnant for years, and, as everyone in the group knew, was using fertility drugs. Happily, I became pregnant with triplets.

I was a very good producer for the department, but Diane was not happy about my news. She suggested, “as a friend”, that I abort one or two of my children so I could “better manage my career”.

After giving birth to three beautiful children, and taking my full maternity leave; I found a new job on Wall Street. With three babies, I did not want to fight that fight. Diane continues to move ever-higher on Wall Street.”

Ok. Polêmicas sobre a maternidade e a carreira da mulher são fatos mundiais. Para quem não se lembra, em 2007 o abominável digníssimo Ministro da Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social do Japão descreveu as mulheres como “máquinas de produzir bebês” durante um discurso sobre a baixa taxa de natalidade no país: “O número de mulheres entre 15 e 50 anos é fixo. O número de máquinas de produzir bebês é fixo, então, tudo o que podemos pedir é que elas façam o melhor por cabeça”. Fico imaginando o que ele diria se não fosse ministro do bem-estar social (!!!). Bem, os japoneses estão colhendo o que plantaram, afinal, já que as mulheres sempre foram obrigadas a deixar seus empregos após darem à luz, passaram a preferir a carreira aos filhos. Simples assim. Parece-me que depois que o bicho pegou, as coisas estão mudando por lá. Que assim seja!

Ainda é pior quando a liderança feminina (em sua maior parte já com filhos mais que criados) dificulta ou mesmo ameaça este tipo de decisão, como o que aconteceu com esta mulher do relato. Vimos que ela optou por trocar de emprego a ter que conviver com aquela “luta”. Segundo pesquisa do WBI (Workplace Bullying Institute), que se dedica ao estudo do assédio moral nos Estados Unidos, quando as mulheres estão na chefia, a maioria delas (70%) inferniza mais as funcionárias. Mais detalhes desta pesquisa aqui.

Infelizmente, aqui no Brasil é muito comum as mulheres serem demitidas após voltarem da licença maternidade.  1E mais, o aumento da licença para seis meses, apesar de oferecer benefício fiscal (Empresa Cidadã), obviamente e economicamente não agradou à esmagadora maioria, e aumentou a dose de rejeição às contratações femininas: a mulher é ótima no que faz, mas homens são ótimos e não precisam se afastar. Aquela historinha pra boi dormir que conta a Great Place to Work, de que as organizações estão associando a maternidade com o desenvolvimento de competências humanas ainda não cola. Logicamente é ótimo saber que UMA ou OUTRA empresa adotam programas de apoio à maternidade, mas isto está longe de se tornar realidade no cenário.

Mesmo o Presidente da ABRH – Nacional, Ralph Arcanjo Chelotti,  diz que o fenômeno da maternidade no ambiente de trabalho ainda é complexo e preocupa tanto as empresas quanto a sociedade:

“O ambiente de trabalho, hoje cada vez mais competitivo, tem problemas para assimilar a mulher profissional que se torna mãe. Notamos que as empresas que lidam com essa questão com mais dificuldades são as pequenas e médias, justamente a grande maioria no Brasil, o que revela que o problema é, de fato, abrangente. A questão da mãe no trabalho precisa ser melhor compreendida pelas empresas e pela sociedade. Entendo que as empresas deveriam ser estimuladas a dar apoio à mãe profissional, pois isso ajudaria muitas a preservar essas profissionais. Há muitas alternativas a serem consideradas, como creches nas empresas, trabalho à distância, entre outras alternativas.”

Assumo que não tenho filhos mas é claro que pretendo formar uma família um dia, como quase todas as mulheres. E se isto assusta a mim, que estou digamos, longe de consumar o fato, imagine quantas querem fazê-lo, mas por medo da provável instabilidade em seus empregos, acabam deixando este projeto de lado! Ou alguém nunca ouviu uma colega comentar algo sobre isso?

Outro dia recebi um e-mail: “Desabafo de uma mulher moderna”. É o que nós pensamos em muitos momentos com certeza. Mas são escolhas: podemos desistir de nossas carreiras para vivermos como “Amélias” (argh!) ou podemos usar a cabeça e tentar manter nossa sobrevivência na selva empresa.

Parece-me que uma boa notícia, ou no mínimo uma idéia para as gestoras, executivas e afins é o cada vez mais aceito “trabalho em casa”, ou “home office”. Nós, mulheres modernas, cada vez mais conectadas e viciadas pela web, podemos colaborar em casa sim! Por que não? Licença maternidade não precisa ser exclusivamente para ficar em casa cuidando do bebê, afinal, quem hoje em dia não acessa e-mail´s diariamente? Tem um bocado de recém-mamães acessando orkut e msn por aí que eu sei. Seis meses sem precisar ir ao local de trabalho para poder amamentar o filho corretamente é uma coisa, seis meses sem notícias sobre o que está acontecendo por lá é outra, inconcebível em minha humilde opinião! Não caberia a nós, prestativamente nos “dispormos” para qualquer eventual necessidade da empresa? Transcender o limite do espaço físico, este é o futuro (ou o presente???). Mas isto é assunto para outro post…

Bem, é o que eu faria, e você?

Um abraço!

😉

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